| NOVA IORQUE, ESTADOS UNIDOS | 8 DE FEVEREIRO DE 2026 |

Sobrevivente de Tráfico Tornou‑se Defensor

Tendo sido vítima de tráfico de trabalho, Harold D’Souza transformou a sua dor em propósito, ensinando os 30 direitos humanos para inspirar a liberdade, a resiliência e a dignidade dos sobreviventes por todo o mundo.

O ativista dos direitos humanos Harold D’Souza na Cimeira Internacional dos Direitos Humanos na Cidade de Nova Iorque.

A história de vida de Harold D’Souza é um testemunho notável de resiliência, coragem e do poder transformador da educação sobre os direitos humanos. Nascido numa pequena aldeia na Índia, Harold cresceu sem água canalizada ou eletricidade, num mundo de alegrias simples e travessuras de infância. Desde muito jovem, o seu pai incutiu‑lhe quatro princípios fundamentais: valor, caráter, educação e fé. Estes princípios iriam guiá‑lo através de desafios inimagináveis mais tarde na vida.

Em 2003, Harold foi para os Estados Unidos para perseguir o sonho americano. Em vez disso, tornou‑se vítima de tráfico de trabalho e de servidão por dívida, sendo forçado a trabalhar longas horas sem remuneração. Ameaçado, explorado e privado dos seus documentos de identificação, Harold viveu num medo constante — mas sobreviveu. “Não recebi um único cêntimo durante 18 meses”, recorda ele. “O meu traficante apontava‑me o dedo e dizia: ‘Ei, ilegal!’ Eu pensava que era um criminoso.”

Apesar destes horrores, Harold e a sua esposa perseveraram. Eles lutaram através de canais legais e reconstruíram as suas vidas. A sua jornada inspirou Harold a cofundar a Eyes Open International, uma organização sem fins lucrativos dedicada a prevenir o tráfico, educar as comunidades e capacitar os sobreviventes.

“Cada ser humano no mundo enfrentará desafios e obstáculos até ao último dia das suas vidas”, diz Harold. “Transformei obstáculos em oportunidades.”

A defesa de Harold é global. Ele destaca como países como o México, a Índia, o Nepal e o Paquistão são frequentemente países de origem para comunidades em risco. Ele ensina os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem a populações vulneráveis usando o folheto O Que São os Direitos Humanos?, juntamente com orientação prática.

“Os direitos humanos mudam‑nos. Mudaram‑me muito. Mudaram muito as vítimas.” Através destes ensinamentos, Harold ajudou inúmeras pessoas a recuperar a liberdade e a dignidade. Entre eles: um barbeiro indiano traficado para os Camarões, que agora gere a sua própria barbearia na Índia, e uma sobrevivente de violência doméstica em Ohio, que, fortalecida pelo conhecimento dos seus direitos, reconstruiu a sua vida com segurança e independência. Harold está a criar um efeito de onda global de indivíduos fortalecidos que agora podem defender‑se.

“Estes direitos humanos mudaram a minha vida. Eles dão‑me energia, poder e coragem a cada segundo, a cada minuto neste planeta.”

Na Cimeira Internacional dos Direitos Humanos nas Nações Unidas em Nova Iorque, Harold enfatizou o poder da educação e da consciencialização. “A educação é poder, precaução, proteção, acusação e prosperidade”, disse ele aos delegados. “Se cada indivíduo neste planeta for educado com estes 30 direitos humanos, a vida de todos mudará para sempre.”

Ele serviu no Conselho Consultivo dos Estados Unidos sobre o Tráfico de Seres Humanos sob dois antigos Presidentes dos EUA. Ele agora continua a defender esta causa através de plataformas nacionais e internacionais.

Apesar do reconhecimento do seu trabalho em todo o mundo, Harold mantém‑se humilde. “Sou um homem comum”, diz ele. “Falhei em quatro Ps: falhei como pai. Falhei como provedor. Falhei como protetor. Falhei como pessoa. Mas estes direitos humanos mudaram a minha vida. Fizeram‑me transformar os quatro Ps em paixão, propósito, poder e preces. Eles dão‑me energia, poder e coragem a cada segundo, a cada minuto neste planeta.”

Ao longo da sua jornada, Harold demonstra que, mesmo nas circunstâncias mais sombrias, o conhecimento, a coragem e a persistência podem transformar vidas. A mensagem de Harold para todos os sobreviventes e defensores é clara: “Não devem ter medo. Há esperança. Sejam resilientes e lutem pela vossa liberdade.”



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